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28 de nov. de 2008

Closer - Perto Demais

É um desafil pessoal interpretar filmes que te desafiam. De vez em quando nos deparamos com um exemplo dessas obras que por mais que tentamos fica difícil entender certos pontos, momentos incompreensíveis esse que noutro dia talvez entenderemos. Quando Kubrick nos apresentou 2001 – Uma Odisséia no Espaço ele deixou uma porção de interrogações. A intenção é pessoal. Cabe a cada um interpretar.

Nesse quesito que Closer – Perto Demais sempre me deixa uma sensação de vazio, uma verdadeiro avalanche que tem leitura diferente do que é o amor. Uma pessoa precisa realmente de anos para deixar de amar alguém? Ou é preciso somente um ato, um momento para tudo vir à tona? Se isso acontece no sentimento do ódio, um único deslize, mas com conseqüências drásticas pode apagar todos os momentos felizes já vividos e transformá-los em apenas rancor? Alice (Natalie Portman - simplesmente perfeita) diz em certo momento que veio para Inglaterra por terminar com o antigo namorado. "Não te amo mais, adeus.", conta ela para Dan. A personagem de Portman é a mais profunda, todos os outros giram ao seu redor. É uma ovelha desgarrada sentimental.

Mike Nichols brinca com os sentimentos humanos sem piedade. Fica até difícil saber como pessoas podem trair os amados. Quando Anna aceita a proposta de transar com Larry, para que ele assine o documento do divórcio, ficamos com mais perguntas na mente. Ela aceitara por que no fundo ainda sentia algo por Larry? Ou estaria apenas fazendo um ato de amor? Para que então pudesse ficar ao lado de Daniel.

O filme não mente. Mostra a vida como ela é. Não há hipocrisia. E volto a bater na tecla da mentira. Os personagens mentem e muito. Não é qualquer um que entende ou gosta desse filme. É preciso que haja uma sensibilidade nos olhos de quem ver. Closer é um filme profundo, agudo, traiçoeiro. Mexe com a racionalidade humana. É preciso anos de estudo para chegarmos ao conceito da compreensão da mente das pessoas. Da mesma forma acontece com a política. Desde cedo nossos ouvidos acostumam-se a ouvir o que geralmente nossos pais sempre falam quando um político qualquer aparece na tevê ou mesmo na sua frente: “Todo político é igual: ladrão!”

Em Closer todos os personagens são traídos e todos traem. Daí, um dos personagens chora, agarra-se, desabava, tudo exatamente como já fizemos, fazemos ou certamente faremos. “Um quebra-mentes” que mexe com passado, presente e quando menos esperamos até com o futuro. O longa só tem fidelidade à verdade na vida real e à mentira dos personagens. Quando somos apresentados a ele, logo de cara “The Blower’s Daughter”, de Damien Rice toca os corações com sua sutileza e para fechar a fita a música novamente é tocada. Uma demonstração da importância da trilha sonora. Closer – Perto Demais é um filme controverso, enigmático e verdadeiro. Não recomendável para um casal de namorados assistirem juntos.

Closer: Perto Demais
(Closer, EUA, 2004, 104 min. Dir.: Mike Nichols)

“Assista Antes De Morrer” é uma série de colunas mensal. Trata-se de filmes que merecem não só uma crítica, mas sim uma análise profunda do que ele é realmente. A cotação não é necessária.

21 de nov. de 2008

O Nevoeiro (2008)


Depois que uma violenta tempestade devasta a cidade de Maine, David Drayton - um artista local - e seu filho de 8 anos correm para o mercado, antes que os suprimentos se esgotem. Porém, um estranho nevoeiro toma conta da cidade, deixando David e um grupo de pessoas presas no mercado - entre elas um cético forasteiro e uma fanática religiosa. David logo descobre que o nevoeiro esconde algo sobrenatural e que sair do mercado pode ser fatal. Mas conforme o grupo tenta desvendar o mistério, o caos se instala e fica evidente que as pessoas dentro do mercado podem tornar-se tão ameaçadoras quanto as criaturas do lado de fora.

Falo para todos que querem ouvir: Eu não gosto de filmes de terror. Não é por medo! Apenas não me apego muito às idéias dos roteiristas do gênero. É muito fácil um filme me assustar, mas é muito difícil um filme me causar medo, pânico ou náuseas. Digo sem nem um medo que O Nevoeiro é um dos melhores filmes de terror que eu assisti até agora. É impossível não ficar tenso diante de uma situação que você mesmo supõe o que acontece.

Há um certo diálogo no filme que diz tudo que é preciso saber:

"Meu Deus, David, somos uma sociedade civilizada."

"Isso enquanto tudo funciona e você pode chamar a polícia. Mas se tirar isso tudo e colocar as pessoas no escuro, deixá-las assustadas, tirando as regras, se surpreenderia com o quão selvagens podem se tornar. Se assusta demais alguém, chega um ponto no qual você consegue que façam qualquer coisa. Vão seguir quem quer que proponha uma solução ou coisa parecida. Como espécie, somos basicamente insanos. Junte mais de dois de nós em um quarto, escolheremos um lado e inventaremos razões para matar uns aos outros."

O Nevoeiro é uma retratação de outro lado da sociedade humana. Um lado mais promíscuo, hipócrita. O longa nos deixa diversas interrogações no decorrer da projeção. E é justamente isso que o torna um excelente filme. Ficamos supondo diversos motivos. A cena do motoqueiro é sugestão pura. Não sabemos o que realmente aconteceu nem mesmo quando as pessoas se espantam com a corda suja de sangue. Não é mostrado nada. Durante um tempo palpitamos o destino do personagem. Daí surge outra interrogação: todas as mortes são conseqüências de um erro do homem ou de um ato de Deus? A idéia se reforça com o fanatismo da Sra. Carmody – personagem brilhante interpretado perfeitamente bem por Marcia Gay Harden.

Aliás, só há ótimas pessoas no elenco. Thomas Jane, simplesmente ótimo; Toby Jones, Andre Braugher, Laurie Holden. São tão bons que as cenas de discussão filosóficas nem parecem forçadas. O filme possui seus defeitos. A cena descartável do “namorico” do militar e da caixa do mercado é o ápice. Mas nada que estrague o filme totalmente.


17 de nov. de 2008

Warner Bros. divulga trailer de Watchmen e Harry Potter 6

Quinta-feira (13) a Warner Bros. divulgou o mais novo trailer de Watchmen, adaptação da aclamada graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons e com direção de Zack Snyder (300). E no Blog do Vinícius foram divulgados seis pôsters fantásticos da produção. O trailer cumpre com o que o diretor declarou dias atrás:

"Eu acabo de vê-la... ela tem mais história, se parece mais com um trailer completo. Ela tem um tom 'alguém está matando heróis fantasiados'. Você terá mais informações sobre os personagens e a frase 'nós supostamente deveríamos ter feito do mundo um lugar melhor... o que aconteceu com o sonho americano?'"



No filme quando um de seus antigos colegas é assassinado, o vigilante mascarado Rorschach decide investigar um plano para matar e desacreditar todos os super-heróis do passado e do presente. À medida que ele se re-conecta com sua antiga legião de combate ao crime, Rorschach vislumbra uma ampla e perturbadora conspiração que está ligada ao passado deles e a catastróficas conseqüências para o futuro.

Watchmen estréia em 9 de março de 2009.

Não satisfeita, a Warner também divulgou nesta sexta-feira o trailer de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, os efeitos estão muito bem resolvidos, ao que parece o filme já está pronto há tempos.

Na trama de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, Lorde Voldemort (Ralph Fiennes) ameaça tanto o mundo dos trouxas quanto o mundo dos bruxos, e Hogwarts já não é o local seguro de outrora. Harry (Daniel Radcliffe) suspeita que o perigo esteja dentro do castelo, mas Dumbledore (Michael Gambon) está mais preocupado em preparar o bruxo para a batalha final que se aproxima rapidamente.

O sexto filme da série estréia em 17 de julho de 2009.

14 de nov. de 2008

007 - Quantum of Solace (2008)


A história começa do exato ponto em que 007 - Cassino Royale parou, na Itália, e roda o mundo, passando pelo Haiti, Áustria, Inglaterra e Bolívia. Por onde passa, o agente do serviço secreto britânico abusa da permissão para matar que os dois zeros antes do número sete lhe garantem, e vai deixando um escandaloso rastro de sangue. Em uma dessas paradas conhece Camille (Olga Kurylenko), que está em sua própria cruzada vingativa. Enquanto Bond quer pegar os culpados pela morte de Vesper Lynd (Eva Green), Camille vai atrás do ditador que deixou cicatrizes em sua pele e alma.

Já relatei que não sou um grande admirador de 007, nem mesmo Cassino Royale e este do qual vos escrevo forçaram-me a assistir os que não vi. Continuo com a mesma opinião ao outros episódios da série. O bom de Quantum of Solace é que quase não notamos a troca dos diretores. Os diálogos de Paul Haggis continuam ótimos e engraçadíssimos. Creio eu que muitos cinéfilos estão curiosos em ver como Marc Foster se deu dirigindo um filme de ação. Esperando algo inovador ou artístico do diretor alemão. As cenas de ação são realmente empolgantes, uma pena que a montagem atrapalhe. A edição do longa é confusa e embaralhada quando a ação acontece. Junte isso com um dublê e você não sabe quem é Bond e quem é vilão. É claro, isso não acontece sempre. Caso se sinta mal nessas cenas, respire e espere, passará rápido. MF não deixou a desejar em cenas de ação.

A decepção pode vir pó parte da dramaturgia, a modalidade em que eu mais apostava no diretor. Odiei grande parte das cenas do tipo, é nesse aspecto que o filme se perde. São poucas as cenas descartáveis, aliás são poucas as cenas dramáticas. Dos 106 minutos do filme (o mais curto da série), quase todos eles são de correria, perseguições e porrada.

A personalidade de Bond está mudada, algo aceitável já que no longa anterior o personagem perdeu a amada. “Tem que ser muito frio para não querer vingar a morte da pessoa amada” , nesse pequeno diálogo realista de M (Judi Dench) no início do filme já sabemos que James Bond não será o mesmo no decorrer da projeção. O seu ego continua intocável, o que não é bom para a profissão que exerce. Todos os acontecimentos anteriores criaram um outro defeito no agente: a arrogância.

Adorei a recriação da série... É preciso ter cuidado com a sombra de outro personagem que carrega as mesmas iniciais. Jason Bourne. Nesses tempos de hoje, seja contra ou prós, sempre há comparações. É uma pena que Quantum Of Solace não seja superior à obra ímpar de Martin Campbell, Cassino Royale.



ESPECIAL 007 - Críticas, trailer e mega galeria de imagens.

7 de nov. de 2008

Especial 007

James Bond é o mais famoso agente secreto dos cinemas. Quem não conheçe a forma como ele se apresenta que se tornou clássica? Na estreia de Quantum Of Solace preparamos um especial do agente para você confira.

Quantum Of Solace
A crítica do filme
Trailer + mega galeria de imagens

Cassino Royale
A crítica do filme

007 - Cassino Royale (2006)


É incrível como Martin Campbell moldou um novo James Bond. Eu, honestamente, não sou um grande admirador da série 007. Assisti poucos, o bastante para concluir que não há muita qualidade nos filmes. Mas sejamos francos: assistir um filme do agente é como assisti todos.

O filme apresenta James Bond antes que o espião possuísse licença para matar. Mas isso não significava que Bond fosse menos mortal e, com dois homicídios profissionais em um curto período, ele é, então, promovido à categoria “00”. A primeira missão de Bond como 007 o leva a Madagascar, para espionar um terrorista, Mollaka (Sebastien Foucan). Nem tudo sai como planejado, e Bond decide investigar por conta própria até chegar ao resto da célula terrorista. Seguindo uma pista até as Bahamas, ele conhece Dimitrios (Simon Abkarian) e sua namorada, Solange (Caterina Murino), e descobre que Dimitrios está envolvido com Le Chiffre (Mads Mikkelsen), banqueiro de organizações terroristas do mundo todo.

A Inteligência do Serviço Secreto revela que Le Chiffre planeja conseguir dinheiro em um jogo de pôquer milionário em Montenegro, no Cassino Royale. MI6 designa 007 para jogar contra ele, sabendo que se Le Chiffre perder, destruirá sua organização. ‘M’ (Judi Dench) envia Bond sob os olhos atentos da sedutora Vesper Lynd (Eva Green). Incrédulo a princípio quanto à possível contribuição que Vesper poderia prestar, o interesse de Bond por ela aumenta depois que eles sobrevivem juntos a muitos perigos e até à tortura nas mãos de Le Chiffre.

Em Montenegro, Bond se associa a MATHIS (Giancarlo Giannini), um agente de campo local do MI6, e Feliz Leiter (Jeffrey Wright), representante dos interesses da CIA. O jogo prossegue como uma maratona de golpes baixos e agressões, em que está em jogo o próprio sangue, até chegar a uma conclusão apavorante. Para muitos já é insuportável aturar filmes de 007 de dois em dois anos. Os traços do personagem, construído ao decorrer dos filmes mantém-se presente em Daniel Craig. Notamos o humor de Roger Moore, a dureza de Timothy Dalton, o charme de Pierce Brosnan, e até o sarcasmo de Sean Connery.

É bom esquecer todas aqueles acessórios exageradamente ridículos, que ao meu ver só tornavam os longas mais infantis (e engraçados). Foi uma surpresa saber que, além de cenas fantásticas de ação, Campbell sabe desenvolver bem uma dramaturgia. São poucas cenas, mas o bastante para construir e dar profundidade a um personagem. E os ótimos diálogos de Paul Haggis (Menina de Ouro, Crash – No Limite) ajudam nessa formação. É claro, ainda há certas coisas intocáveis no filme em relação aos anteriores. O clímax central continua confuso; e as reviravoltas são inacreditáveis como sempre. Se ele pede Martini ou não, aí você tem que ver, odeio estragar surpresas.


007 - Cassino Royale
(Casino Royale, EUA/Reino Unido, 2006)
De: Martin Campbell Roteiro: Neal Purvis e Robert Wade, baseado em livro de Ian Fleming Com: Daniel Craig, Eva Green, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Jeffrey Wright, Giancarlo Giannini. Ação/Drama. 154 min.

3 de nov. de 2008

Apuração de Outubro


foto: Cine Players

Nesse mês eu deixei bastante a desejar em relação ao passado. Pouquíssimos filmes, mas a qualidade de cada um deles faz valer aquale velha frase: "Qualidade é melhor que quantidade".

1. 300 (2006, Zack Snyder)
2. Brilho Eterno de uma Mente sem lembranças (2004; Michel Gondry)

1. Hairspray (2007, Adam Shankman)
2. Cloverfield – Monstro (2008, Matt Reeves)


1. South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes (1999, Trey Parker)