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27 de mar de 2010

O Livro de Eli (2010)


É um fato que os filmes sobre o fim da humanidade arrastam multidões para o cinema. Este ano, ao menos no Brasil, já tivemos duas produções semelhantes (Zumbilândia e Vírus) e outro que estreará em breve (A Estrada) cujas semelhanças são visíveis com o filme em questão. O Livro de Eli é parecido com A estrada do diretor John Hillcoat em sua premissa, porém ambos os filmes seguem caminhos totalmente diferentes no desenrolar da trama. É impossível não se lembra de Wall-e enquanto o início do filme é visto. Lembrei também, por exemplo, de Kill Bill em uma pequena cena muito parecida com o filme de Tarantino. O Livro de Eli não é um filme repleto de defeitos, porém seu maior pecado é ser pouco inovador para o gênero tão comum no mercado cinematográfico contemporâneo.

Outro pecado do longa é que seu início é estranho. O típico filme dramático que há situações forçadas para haver cenas de ação. O filme tem um apelo dramático muito forte e muito bom que funcionaria perfeitamente sem as várias sequências de ação, por sinal bem empolgantes. Algumas são até que necessárias, outras, entretanto, tornam a produção extremamente comercial, ou pior, comum. Inicialmente parece até que estamos vendo um filme de Steve Segal. Calma. Essa impressão é momentânea e rapidamente passa. Ocorre quando não se deposita muita fé no filme e passa quando a trama começa a persuadir o espectador a gostar daquilo.

Como fui ao cinema de cara limpa, sem saber absolutamente nada sobre o que o filme tratava, gostaria que outras pessoas compartilhassem da mesma sensação que tive vendo o filme. Há surpresas (na maioria agradáveis) que podem não acontecer se a trama for revelada neste texto. Com as referências que mencionei no 1º parágrafo dá para se ter ideia de toda trama. Isso conta como Spoiler? Acredito que não. Então, se for seguir meu conselho pule o próximo parágrafo.

30 anos no futuro após a última Grande Guerra. Um homem solitário (Denzel Washington) caminha pela América em direção ao oeste. O cenário é totalmente devastador lembrando muito (ou talvez seja uma óbvia homenagem) ao cinema western. Ele quer apenas que ninguém o interfira em sua misteriosa jornada ou então sofrerá as conseqüências. Seu objetivo é guardar com a própria vida a esperança da humanidade (e é bom que não seja revelado o que é) para usá-la posteriormente, já que faz isso desde o “Novo Mundo”., ou seja, há 30 anos. O único que o compreende é Carnegie (Gary Oldman), chefe de uma cidade por ser o único indivíduo que ler e, por isso, tem influência sobre os demais. Assim Carnegie fará de um tudo para pegar o que o personagem de Denzel guarda com a vida.

Não atribuo mérito total aos irmãos Hughes pelo funcionamento do filme. Atribuo à ótima atuação de Denzel Washington que jamais torna seu personagem caricato, cria cenas ótimas ao lado de Gary Oldman - ora é perfeito, ora é exagerado, mas nada que condene o filme, acho até que seu personagem exigia esse exagero. Nenhuma reclamação nas atuações. A fotografia de Don Burgess chama bastante atenção pelo clima apocalíptico bastante realista. Agora o que deixa a desejar é a falta de visão de Albert e Allen Hughes, nada de extraordinário na direção dos irmãos. O que agrada em O Livro de Eli é mesmo o roteiro com uma ideia muito boa que poderia ser mais explorada. Trágico, um filme que tem potencial e não chega lá.


O Livro de Eli
(The Book of Eli, EUA, 2010)
Direção: Albert Hughes, Allen Hughes Roteiro: Gary Whitta Elenco: Denzel Washington, Gary Oldman, Mila Kunis, Ray Stevenson, Jennifer Beals, Evan Jones, Joe Pingue, Frances de la Tour, Michael Gambon, Tom Waits, Chris Browning, Richard Cetrone, Lateef Crowder, Keith Davis. Ação, Aventura, Drama. 118 min.

10 comentários:

  1. Concordo contigo! Acho que a história do filme em si poderia render bem mais, só que não acontece isso, uma pena. Destaco o Gary que mais uma vez está ótimo

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  2. Esse filme não me interessou nem um pouco, não é um tipo de filme que me faria ir ao cinema. Quem sabe na televisão. Abraço

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  3. No geral, parece que a galera tem gostado razoavelmente do filme, algo que também aconteceu contigo. Ao contrário de muitas pessoas não sou muito ligado a filmografia dos Irmãos Hughes, mas gostei muito do trabalho da dupla em "Do Inferno", o último filme deles antes de "O Livro de Eli". Logo verei, mas não nos cinemas.

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  4. Mínimo interesse em ver esse filme, não apenas pelos comentários pouco entusiasmados, mas especialmente porque o Denzel Washington não me convence há um bom tempo.

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  5. • Luis Galvão, é exatamente isso. É uma história que renderia muito mais na tela, mas foi pouco aproveitada e mal desenvolvida. Gary está muito bem...

    • Thiago, não é também um filme que me levaria ao cinema, mas acabei indo sem nenhuma expectativa e não me decepcionei, afinal, não esperava o filme do ano mesmo.

    • Alex, eu nem mesmo vi um filme dos irmãos Hughes antes de "O Livro de Eli", nem fiquei curioso em conhecer a filmografia deles. Veja sem pressa.

    • Vinícius, eu gostei bastante da atuação de Danzel Washington nesse filme. Acho até que ele salva muita coisa que não daria certo sem uma boa atuação.

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  6. Esse parece ser aqueles filmes-pipoca que costumamos ver. Vejo pelo Denzel Washington.

    Beijos! ;)

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  7. Filmes com uma temática pós-apocaliptica me agradam. Mas até agora não encontrei um exemplar perfeito. Achei que seria A Estrada, por causa da qualidade livro, mas não foi. Sei que não será O Livro de Eli também, mas vou conferir, seu review me empolgou, apesar do excesso das cenas de ação.

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  8. Vou adicionar seu blog nos links do cultura intratecal. Eu tinha certeza que ele já estava lá, mas me enganei.

    Abs.

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  9. De fato esse filme e A Estrada "seguem caminhos diferentes": o Denzel quer ir pra oeste e o Viggo pro leste, hehe.

    O Ray Stevenson (Tito Pulo), que faz o capanga do Gary Oldman, aparece sempre assoviando um trecho da trilha do Era Uma Vez na América, aquele da flauta.

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  10. Rafael,
    não conhecia seu blog e gostei bastante, vou linkar no meu!
    Sobre o Livro de Eli vi e não gostei muito, só não me decepcionei muito com o filme, pois assim como você fui ver sem ter muita informação. Mas tirando a qualidade sonora e o esforço de Denzel de trazer conteúdo e forma a seu personagem, o filme não trouxe nada demais.

    Talvez, como você disse, foi não ser inovador com um tema tão batido, mas A Estrada também não é, e me agradou!

    Abraços!

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