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30 de mai de 2010

Querido John (2010)


Os atuais filmes de romance deixaram uma imagem feia em nossas cabeças. Inevitavelmente não é culpa nossa. Foram os produtores, diretores e roteiristas que criaram, no fim dos anos 1990, os filmes que seguem sempre uma mesma ordem de acontecimentos que agradou muito o público e é desde então utilizada incansavelmente em diversos títulos, alguns deles conseguem destaque. Com dito meses atrás na crítica do filme (500) Dias Com Ela, há sempre uma exceção para qualquer regra.

Assisti Querido John do diretor sueco Lasse Hallström - o mesmo do queridinho Sempre ao seu Lado - sem nenhum tipo de expectativa. Na verdade aguardava mais um filme romântico, recheado dos clichês de sempre e totalmente esquecível. Querido John não é lá uma obra prima do cinema, mas não posso negar que é um filme com potencial para tal. Asseguro que não é exagero de minha parte. A longa carrega uma linda história do livro homônimo de Nicholas Sparks, o problema é mesmo a direção de Hallström que é bastante descompromissada; preguiçosa mesmo. Não é aquela despreocupação que é confundido com a naturalidade e geralmente agrada. É possível perceber que os atores tentam concertar esse descuido do diretor.

Senti que Channing Tatum (astro de filmes onde o público alvo são os adolescentes) pode mostrar mais atuando. Interpretando John ele é um personagem que fica pra trás quando divide a cena, é inexpressivo (provavelmente uma característica do personagem), mas até que consegue se destacar em algumas cenas. A cena em que ele mostra que é um ator competente é a do hospital, onde ele entrega a melhor cena de todo o filme. Convence bastante e até comove, mais pela situação do que mesmo pela atuação. Esta cena ele divide com Richard Jenkins – a melhor e mais natural atuação do filme.

Romances que são separados em decorrência de uma guerra já são comuns no cinema. A novidade aqui é somente a guerra, que é a mais atual protagonizada pelos EUA e o Iraque. Nesse contexto temos John Tyree (Channing Tatum), um soldado que foi para casa durante uma licença e conhece Savannah Curtis (Amanda Seyfried), uma jovem universitária por quem ele se apaixona durante as férias de faculdade. Durante os próximos sete anos, com poucos e curtos encontro entre os dois, o casal é separado pelas missões cada vez mais perigosas de John. Apesar de estarem distantes uns dos outros ambos passam a se corresponderem. As palavras trazem notícias boas ou então devastadoras.

O que parece ser uma história bem típica acaba tornando-se algo interessante. O desenrolar da trama deixa o espectador totalmente envolvido e surpreso. Amanda Seyfried - um dos novos talentos que não se deixa vencer por sua beleza - está bem à vontade no filme. Em uma mescla sucessiva de erros toleráveis Querido John torna-se um ótimo filme para se ver numa sessão da tarde ou em uma boa companhia. É certo que a estória funcione em perfeita sincronia na literatura. Na mídia em questão poderia dar certo se Lasse Hallström tivesse menos preguiça e mais vontade de fazer um bom filme, não fazer mais um filme de romance.


Querido John
(Dear John, EUA, 2010)
Direção: Lasse Hallström Roteiro: Jamie Linden Elenco: Channing Tatum, Amanda Seyfried, Richard Jenkins, Henry Thomas, D.J. Cotrona, Cullen Moss, Gavin McCulley, Jose Lucena Jr., Keith Robinson, Scott Porter, Leslea Fisher, William Howard Bowman, David Andrews, Mary Rachel Dudley, Bryce Hayes. Romance. 105 min.

12 comentários:

  1. A cena do hospital vale o filme inteiro ... o problema é chegar até lá ...

    Agrada o publico alvo, mesmo sendo carente de linguagem cinematografica.
    abraços

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  2. Curioso, sempre achei o Hallstrom muito dedicado e emocional na direção - mas, todos falam que, de fato, aqui ele se perde...torna-se mecânico?

    Verei o filme, ainda.

    Abraço

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  3. A cena do hospital é sim a melhor do filme, mas não chega a ser suficiente para salvá-lo. Achei muito fraco e, apesar do nítido esforço, nem Tatum nem Seyfried me convenceram, só mesmo Richard Jenkins para entregar uma boa atuação. Abraços

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  4. Considero o Lasse Hallström um diretor que beira a mediocridade na maior parte de suas fitas, por isso não estou tão curioso em relação a esse filme.

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  5. Gosto dos filmes de Hallstrom, mas não é nem pela direção dele, pelos textos. E portanto, achei curiosa sua crítica que aponta a virtuosidade de "Querido John" exatamente no roteiro. Quero ver.

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  6. Eu gosto do Lasse Hallstrom e, mais ainda, dos filmes baseados em obras do Nicholas Sparks. Eu fiquei surpresa com teu texto, e espero, sinceramente, que, desta vez, tenhamos um final feliz num filme baseado num livro do Sparks.

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  7. Ainda bem que você alertou para este filme, se não eu iria passar batido.

    Parece interesante mesmo.

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  8. De certo, é que tenho muitos preoblemas tanto com o protagonista quanto com a direção sempre giual de Hallstrom, que no fim das coisas sempre torna seus filmes muito iguais! Deixei passar batido esse!

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  9. Pensei que esse filme ia ser insuportavelmente clichê. Mas, até que gostei do resultado. Amanda Seyfried e Richard Jenkins estão ótimos!

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  10. Não é o filme que morro de vontade de ver, mas conferirei.

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  11. Eu achei meio bobinho demais. rsr Não consigo levar a sério o Tatum e acho que Amanda precisa de um trabalho realmente sério que a faça tirar esse imagem de 'moçinha' que ela tem. rs

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  12. Johnny, sabe que eu não tive tanto problema de chegar até lá? Concordo totalmente sobre a carência de linguagem cinematográfica.

    Cristiano, a direção não é grande característica do filme!

    Yuri, o núnico que não me convenceu no elenco foi Channing Tatum...

    Vinícius, não o considero um grande diretor, nem tampouco um péssimo profissional. Ele fica sempre na mesma, sem nenhuma atrativo como diretor.

    Wally, isso, o roteiro que é o destaque. Além de Amanda Seyfried e Richard Jenkins é claro

    Kamila, adorei o filme, acho que cumpre o seu papel. :D

    Bruno, dê uma chance a ele!

    Jenson, de fato a direção de Hallström nunca oferece nada de novo.

    Matheus, tínhamos a mesma expectativa então. E a mesma opinião sobre Seyfried e Jenkins.

    Robson, veja, mas sem pressa nenhuma.

    Luís, não achei tão bobo apesar de ter os seus clichês. Também penso que Amanda precisa de um papel desafiador, ela é ótima atriz, só lhe falta um bom personagem.

    Abraço!

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